terça-feira, 30 de outubro de 2012
Enquanto estava no porão com Berit, Bibbi Bokken e Mario Bresani, aconteceu uma espécie de prodígio. Pela primeira vez na minha vida compreendi o que é um livro. Um livro é um mundo mágico cheio de pequenos sinais, em que os mortos podem regressar à vida e os vivos podem viver eterna-mente. É incrível, fantástico e «mágico» que as letras do alfabeto possam formar tantas combinações, capazes de encher enormes estantes de livros e de escancarar-nos um mundo infindo, que continuará a crescer e a expandir-se enquanto houver homens sobre a Terra.
Olhei para cima e para baixo ao longo da parede e, por instantes, pareceu-me que todos os livros me retribuíam o olhar. Isso mesmo, como se estivessem vivos e gritassem:
— Vem cá! Não tenha medo! Vem!
De repente, fiquei com uma fome tremenda. Não era fome de alimentos mas, de todas as palavras escondidas nestas estantes. No entanto, sabia que tudo aquilo que conseguisse ler no decurso da minha vida seria sempre e só uma trilionésima parte de tudo o que já foi escrito. Existem muitas palavras no mundo inteiro, tantas quantas as estrelas que há no céu. E são cada vez mais, e expandem-se como um espaço infinito. Ao mesmo tempo, sabia que todas as vezes que abro um livro é um pedaço de céu que se abre à minha frente e todas as vezes que leio uma frase conheço algo de novo que não conhecia antes. E tudo o que leio faz com que o mundo fique maior e eu vá alargando os meus horizontes. Num instante veloz, tinha acabado de olhar bem dentro do fantástico e mágico mundo dos livros.
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